Os Infiéis (no original: Les Infidèles; em inglês: The Players), lançado no Brasil em setembro deste ano, é uma série de curtas ou esquetes - geralmente cômicas, mas às vezes puxadas para o drama ou para o surreal - que retratam a infidelidade masculina pela perspectiva de oito diretores: Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alex Courtès, Jean Dujardin (vencedor do Oscar 2012 de Melhor Ator pelo filme O Artista), Jan Kounen, Michel Hazanavicius (vencedor do Oscar 2012 de Melhor Diretor pelo filme O Artista), Eric Lartigau e Gilles Lellouche.
Como seria de se esperar de um filme composto por curtas-metragens - que, apesar de estrelados majoritariamente pelos mesmos atores: Dujardin e Lellouche, estão ligados quase que unicamente por seu tema comum -, a qualidade dos segmentos varia enormemente (cada um foi escrito e dirigido por uma equipe diferente).
Dentre os pontos comuns, pode-se destacar a quase onipresença do humor, estilo comédia de erros, que geralmente se manifesta na quase absoluta falta de bom-senso da grande maioria dos personagens - os quais, devido a ocasionais exageros caricaturais, transformam-se por vezes, lamentavelmente, em personagens-tipo, com pouca ou nenhuma esfericidade.
A principal falha do filme não é sua agressividade na abordagem do tema (embora certas seqüências ou cenas possam tornar-se desconfortáveis de observar), seu humor vulgar (por vezes bastante eficaz) nem seu suposto machismo - apontado por diversas organizações feministas, que conseguiram que os cartazes do filme fossem retirados de circulação na França. A falha fundamental está na freqüente carência de profundidade e coerência e na dolorosa irregularidade dos segmentos, que faz com que alguns curtas pareçam grosseiramente enxertados no conjunto.
Nem sempre é assim, contudo. Há, de fato, algumas reflexões profundas em aberto, inseridas esparsamente na trama... Alguns dos curtas se destacam por sua qualidade, em especial La Question, dirigido por Emmanuelle Bercot e protagonizado por Jean Dujardin e sua esposa Alexandra Lamy - a expressividade da atriz, muito bem explorada nos primeiríssimos planos que dominam o curta, salta aos olhos.
De resto, merecem elogios a sempre excelente atuação de Dujardin e Lellouche, a surpreendente qualidade da fotografia nos momentos em que o filme se leva a sério e, em especial, aquela que talvez seja a única qualidade técnica onipresente em toda a duração do filme: trilha sonora impecável (que, apesar de contar com artistas e bandas tão díspares quanto Charles Trenet e The Black Keys, consegue manter uma admirável unicidade e conformidade às cenas).
A principal falha do filme não é sua agressividade na abordagem do tema (embora certas seqüências ou cenas possam tornar-se desconfortáveis de observar), seu humor vulgar (por vezes bastante eficaz) nem seu suposto machismo - apontado por diversas organizações feministas, que conseguiram que os cartazes do filme fossem retirados de circulação na França. A falha fundamental está na freqüente carência de profundidade e coerência e na dolorosa irregularidade dos segmentos, que faz com que alguns curtas pareçam grosseiramente enxertados no conjunto.
Nem sempre é assim, contudo. Há, de fato, algumas reflexões profundas em aberto, inseridas esparsamente na trama... Alguns dos curtas se destacam por sua qualidade, em especial La Question, dirigido por Emmanuelle Bercot e protagonizado por Jean Dujardin e sua esposa Alexandra Lamy - a expressividade da atriz, muito bem explorada nos primeiríssimos planos que dominam o curta, salta aos olhos.
De resto, merecem elogios a sempre excelente atuação de Dujardin e Lellouche, a surpreendente qualidade da fotografia nos momentos em que o filme se leva a sério e, em especial, aquela que talvez seja a única qualidade técnica onipresente em toda a duração do filme: trilha sonora impecável (que, apesar de contar com artistas e bandas tão díspares quanto Charles Trenet e The Black Keys, consegue manter uma admirável unicidade e conformidade às cenas).
Os Infiéis é, em suma, um filme ousado, provocador e, na maior parte do tempo, repugnantemente divertido, sendo porém, em última análise, muito mais superficial do que seria desejável. O filme, contudo, tem seu mérito - além dos diversos acertos mencionados - por ser uma tentativa, talvez consciente, de combater a onda do politicamente correto que paira sobre o cinema (não apenas na França) e ameaça a integridade desta que é possivelmente a nossa mais expressiva forma de arte.
Lista completa de curtas-metragens:
- Le Prologue (Fred CAVAYÉ)
- Bernard (Alex COURTÈS)
- La Bonne Conscience (Michel HAZANAVICIUS)
- Ultimate Fucking (Jan KOUNEN)
- Lolita (Éric LARTIGAU)
- Thibault (Alex COURTÈS)
- Simon (Alex COURTÈS)
- La Question (Emmanuelle BERCOT)
- Les Infidèles Anonymes (Alex COURTÈS)
- Las Vegas (DUJARDIN & LELLOUCHE)
Sempre realmente instigantes, seus textos (e, como esse demonstra, mesmo com todas as críticas negativas, fica no leitor a vontade de ver).
ResponderExcluirFiquei em dúvida em momento, o que você quis dizer com: "personagens-tipo, com pouca ou nenhuma esfericidade.".
ResponderExcluirNo mais, curti saber que mesmo sendo rasa, a série é divertida.
Personagens-tipo são personagens que representam um determinado tipo de comportamento, pertencente a um grupo ou classe, sem que nada em sua conduta os individualize.
ExcluirPersonagens planos - sem esfericidade - são personagens cujo comportamento é previsível, não se alterando ao longo da trama.
Obrigada pelo elogio! (: