Ambientado em uma ilha fictícia ao largo da costa da Nova Inglaterra nos anos 1960, Moonrise Kingdom, novo longa de Wes Anderson (escrito em colaboração com Roman Coppola), narra a história de um menino e uma menina com problemas de adaptação ao mundo que se apaixonam um pelo outro e decidem fugir, mobilizando toda a cidade nos esforços de busca pelos dois.
Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward) - ele órfão e ela sufocada pela rotina entediante da casa de seus pais -, ambos com 12 anos e alma inquieta, provocam no expectador empatia imediata. A narrativa do filme desenvolve-se em um tom aventureiro-juvenil comum aos filmes exibidos na sessão da tarde - e aos livros roubados da biblioteca que Suzy lê continuamente. O olhar de Wes Anderson, contudo, envolve o filme em uma forma peculiar, cujo perfeccionismo se faz notar na profusão de planos-detalhe de cartas e bilhetes e das próprias capas dos romances (fictícios) de Suzy. Além disso, o admirável talento do diretor dá a cada aspecto do conteúdo da narrativa significações múltiplas e transcendentes.
No processo da fuga, a ingenuidade que os garotos manifestam em sua percepção do mundo moldada pela descoberta do amor contagia pouco a pouco a melancólica e resignada existência dos demais habitantes da cidade, causando em alguma medida uma ruptura e um preenchimento de suas existências vazias.Utilizando-se de elementos estéticos que se tornaram quase que marcas registradas suas, Wes Anderson atingiu, em Moonrise Kingdom, simbiose entre forma e conteúdo em um tal nível que só se observa verdadeiramente em obras-primas.
Como se nota em diversos outros filmes da carreira do diretor (tais como O Fantástico Sr. Raposo e Os Excêntricos Tenenbaums), há preponderância de planos simétricos, com cenários muito bem arranjados - que, sem perder a verossimilhança dentro da proposta, remetem imediatamente a ilustrações de livros infantis ou a uma casa de bonecas - e uma paleta de cores muito definida, composta de tons vibrantes, ainda que em nuances pastéis.
E aqui se observa mais um dos méritos do longa: o íntimo diálogo da fotografia (sob o comando de Robert D. Yeoman, colaborador habitual de Anderson) com o zeitgeist da década de 1960 - a opressão do ego encoberta pela perfeição estética, o desejo de liberdade dos jovens e a tentativa de sobreposição pela tradição das gerações anteriores.
A trilha sonora mostra-se também impecável, com destaque para a canção Le temps de l'amour, de Françoise Hardy - ícone da chanson francesa nos anos 1960 -, colocada quase que em primeiro plano na cena em que Sam e Suzy trocam um beijo. A canção traz em si a inocência e o deslumbramento da descoberta do amor que a narrativa explora tão bem.
Moonrise Kingdom tem, em suma, a perfeição plástica de um quadro, cujo conteúdo parece fundir-se com a moldura de modo a elevar o expectador a outras dimensões da percepção.
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt1748122/
E aqui se observa mais um dos méritos do longa: o íntimo diálogo da fotografia (sob o comando de Robert D. Yeoman, colaborador habitual de Anderson) com o zeitgeist da década de 1960 - a opressão do ego encoberta pela perfeição estética, o desejo de liberdade dos jovens e a tentativa de sobreposição pela tradição das gerações anteriores.
A trilha sonora mostra-se também impecável, com destaque para a canção Le temps de l'amour, de Françoise Hardy - ícone da chanson francesa nos anos 1960 -, colocada quase que em primeiro plano na cena em que Sam e Suzy trocam um beijo. A canção traz em si a inocência e o deslumbramento da descoberta do amor que a narrativa explora tão bem.
Moonrise Kingdom tem, em suma, a perfeição plástica de um quadro, cujo conteúdo parece fundir-se com a moldura de modo a elevar o expectador a outras dimensões da percepção.
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt1748122/

As referências do diretor são muito boas e sempre esperamos que os próximos trabalhos nos surpreendam positivamente. Moonrise parece inteligente e cativante. Vou conferir ;)
ResponderExcluirOlá, Lia!!
ResponderExcluirFiquei super curiosa para ver esse filme, parece encantador. *-*
Beijos,
Samantha Monteiro
Word In My Bag
Obrigada! É lindo de morrer mesmo, com certeza um dos melhores de 2012. (;
ExcluirBeijo...
Lïa